
Um blog comunitário feito a seis mãos: Márcio, Alex e Cida. Três diferentes cabeças com a mesma paixão: os encantos da prosa e da poesia.
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ESCRITOR DA SEMANA
Jean Nicolas-Arthur Rimbaud

Arthur Rimbaud nasceu em Charleville, no Norte da França, em 20 de outubro de 1854
Adolescente, veio a descobrir os prazeres da capital em jantares da alta sociedade, nos quais assumiu abertamente o papel provocador de jovem rebelde. Suas aspirações ambiciosas foram ilustradas pelo sucesso parnasiano de Ofélia e O Adormecido do Vale, em 1870.
Há também as vinte e cinco quadras do Barco Ébrio, que Verlaine transcreveu rigorosamente. A densidade verbal dessa epopéia transfigurou o tema retomado mais tarde por Baudelaire (A Viagem: “Ao fundo do desconhecido para encontrar algo novo”) e Mallarmé (Brisa Marinha: “Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres / Ébrios de se entregar à espuma das águas e aos céus imensos!”). Em meio ao tédio das bibliotecas, o jovem devorador de livros nutriu-se de obras cultas (Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne, As Aventuras de Arthur Gordon Pym de Edgar Allan Poe).
Uma nova “alquimia do verbo”
Em seus poemas mais ousados, como Álcool –Zona (No final, tu estás lasso desse mundo antigo”) e Vindimário (“Ouçam meus cantos de universal embriaguez)–, Guillaume Apollinaire, na virada do século xx, explorou o mesmo caminho. Nessa mesma época, Rimbaud enfrentou, durante dois anos, ao lado de Paul Verlaine, que vivia uma situação delicada com a esposa, a “alteração sistemática de todos os sentidos”, tema retomado em sua correspondência de 15 de abril de 1871, conhecida como Carta do Vidente.
Uma Temporada no Inferno (1873) e, no ano seguinte, Iluminações, destilam essa nova “alquimia do verbo”, construindo vertigens metafóricas (“Sentei a Beleza em meus joelhos”) e orquestrando sonoridades inéditas ("Sou um inventor bem mais merecedor do que todos os que me precederam, um músico até, que encontrou algo como a chave do amor").
Depois de uma última travessia do deserto etíope em uma padiola improvisada – liteira insignificante para um mago decaído –, Rimbaud, parcialmente paralisado, foi repatriado e levado a Marselha, em fevereiro de 1891. Devido a um tumor cancerígeno no joelho, teve que amputar uma perna. Morreu em 10 de novembro do mesmo ano, aos trinta e sete anos. Foi então iniciado um imenso trabalho de consagração desse gênio irruptivo que levou a corrente da linguagem à sua mais alta voltagem.
Fonte: http://www.ambafrance.org.br/abr/label/label56/21.html
Meus olhos de carioca, boêmia ( num sentido até saudável ) por excelência, elegeram o poema abaixo para prestar uma humilde homenagem a esse maldito e encantador francês.
Ma Bohème
(fantasie)
Je m' en allais, les poings dans mes poches crevées;
Mon paletot aussi devenait idéal;
J' allais sous le ciel, Muse! et j' étais ton féal;
Oh! là là! que d' amours splendides j' ai rêvées!
Mon unique culotte avait un large trou.
— Petit-Poucet rêveur, j' égrenais dans ma course
Des rimes. Mon auberge était à la Grande-Ourse.
— Mes étoilles au ciel avaient un doux frou-frou.
Et je les écoutais, assis au bord des routes,
Ces bons soirs de septembre où je sentais des gouttes
De rosée à mon front, comme un vin de vigueur;
Où, rimant au millieu des ombres fantastiques,
Comme des lyres, je tirais des élastiques
De mes souliers blessés, un pied près de mon coeur!
Minha Boemia
(fantasia)
Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos;
O meu paletó não era bem o ideal;
Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal;
Ah! E sonhava mil amores insensatos
Minha única calça tinha um largo furo.
Pequeno Polegar, eu tecia no percurso
Um rosário de rimas. A Grande Ursa,
O meu albergue, brilhava no céu escuro.
Sentado na sargeta, só, eu a ouvia
Nessa noite de setembro em que sentia
O odor das rosas, que vinho vigoroso!
Ali, entre inúmeros ombros fantásticos,
Rimava com a débil lira dos elásticos
De meus sapatos, e o coração doloroso!
traduções de Claudio Daniel.
Fonte: http://www.redutoliterario.hpg.ig.com.br/poesia/arthur.htm
:: Postado por
Cida
às
09h02
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Obra do Acaso

Obra do Acaso
Caro leitor,escrevo versos
Como quem sonha,
Meu inconsciente toma o meu ser
Por isso não me peça para explicá-los,
Está além da episteme,
Somente meu outro "eu" poderia fazê-lo
Deixo-me levar por estas linhas ,
Meu corpo está inerte,mas meus pensamentos divagam,
Ao longe sigo sem rumo,
Como uma folha solta ao vento
A origem destes vão se perdendo,
Não tente decífrá-los!
É inútil a sua busca
E mesmo que pudesses desvendá-los,
Estes já não seriam mais arte,
Pois,cairiam no tédio da racionalidade
E Nietzshe bem o sabe....
Abençoada e divina insconciência, que me permite uma fuga
Para além dos olhos da vil razão,
E que concede o único instante em que me comprazo,
Longe da consciência delimitada
Esse metapoema é fruto de nossas inquietações quanto à tentativa louca e inútil de se " fechar " um significado para a escrita poética, muito bem traduzido por nossa amiga Rosa Ângela ( 3º período ).
:: Postado por
Cida
às
10h48
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SONHOS DE PAPEL

Debrucei – me na janela
Para olhar a chuva
Vendo a água imunda
Que descia pelo canto da rua
Contemplando o nado sinuoso
De uma folha ordinária de papel
Meu olhos se dissolviam
Junto com meus sonhos
Desmanchados pela água imunda
Que descia pelo canto da rua.
:: Postado por
Cida
às
13h59
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